Terras de Nhô Quinca

    Parecia uma fera de encomenda.
    Quando Nhô Quinca dava a sapituca,
    O povo no roçado ou na poruca
    Chorava que nem cana na moenda.

    Posseava das terras de contenda,
    Tomou terra de Adão, terra de Juca,
    As terras de Donana de Minduca...
    Ele queria o mundo na fazenda.

    Vem um velho pedir barro de oca,
    Nhô Quinca bate nele na engenhoca
    E cai num tacho quente de melado.

    Morreu de raiva... E o pobre do Nhô Quinca
    Só teve na fazenda da Cainca
    Sete palmos de terra do cerrado.

    Renova-te! Alguém já disse,
    E disse com precisão,
    Que rotina é uma empregada
    Escravizando o patrão.

    - “Pão que sobra é contrabando,” –
    Falou Maria Correia –
    “Pedaço que está faltando
    No prato da casa alheia.”

    Caridade indiscutível
    Evitar a tentação;
    Se a gente guardasse a porta,
    Não haveria ladrão.

    Provérbio que o povo diz
    E a vida atira nos ares:
    Serás tanto mais feliz
    Quanto menos desejares.


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