Tudo Claro

    Depois da morte, não é o espetáculo grandiloqüente dos mundos que te assombrará o espírito redivivo; por mais que deslumbre a criança num palácio de maravilhas, não se verá exonerada da imposição do crescimento.

    Tudo é seqüência nos trilhos do Universo...

    Não terás a maior revelação da luz de Sírio ou na paisagem de Júpiter...

    A surpresa estarrecedora flui de nós mesmos.

    Na contemplação do que fomos e somos...

    Sem subterfúgios...

    Sem máscaras...

    Sem mentiras...

    Tudo lógico, tudo vivo, tudo claro.

    Enquanto nos sobrepuja a natureza animal, nossa mente rasteja na argila vil, e, em razão disto, havemos de sujeitar-nos a reiteradas experiências no campo físico, em obediência às leis que presidem a vida vegetativa.

    Quando, porém, a existência nos propicia o ensinamento superior, por se nos ter a tal ponto modificado a estrutura anímica em onda de freqüência já mensurável, a nossa mente, cada vez com maiores responsabilidades, projeta-se em linhas de força de nitidez crescente.

    As emissões do presente aclaram-nos o pretérito, que então, pode ser fotografado num segundo.

    Através do hoje, ressurge o ontem...

    A existência no corpo de carne é chapa negativa.

    A morte é o banho revelador da verdade, porque a vida espiritual é a demonstração positiva da alma eterna.

    Se inutilmente recebemos a lição renovadora do amor, com possibilidades inúmeras para a execução dos desígnios do Senhor entre as criaturas, retendo, em vão, os dons celestes do reconhecimento, então, ai de nós!

    Porque a justiça nos pedirá contas...

    Porque a nos argüirá...

    E porque a realidade nos falará duramente...

    Não olvides que em nós mesmos reside a luz imperecedora que em nosso caminho fará tudo claro, quando a nossa consciência, já esclarecida e responsável, se vê desnuda do sopro da desencarnação...


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