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Essa página rasgada
que o vento sopra para fora da calçada
e que insiste em voltar
traz camufladas nas entrelinhas
mágoas dobradas, que não são minhas,
juras falidas, empenhadas em ficar.

É preciso que esse autor desavisado
procure pouso em lugar mais adequado
e deixe meu cenário repousar.
Onde havia pedras no caminho,
plantei a flor, reguei, podei o espinho,
o adverso pus na sombra e fiz murchar,

Hoje é farto de luz meu céu aberto;
hoje é larga essa paz que anda por perto;
a rosa é linda, eu a quero desfrutar.
Do tempo que ruiu não sobrou nada,
não há espaço para página rasgada,
E um poema fez-se azul no sol do mar.


Por: Flora Figueiredo, Caso tenha ou possua, envie-nos a referência desse texto.


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