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LIVRO DOS ESPÍRITOS - 875. Como se pode definir a justiça?
"A justiça consiste em cada um respeitar os direitos dos demais".

É a evolução que vai deteminando a expansão do homem egoísta para o altruísta. Quanto mais primitivo o estágio evolutivo do espírito, menos condições de respeitar os direitos dos demais e tanto mais ele vê apenas os próprios direitos.
Uma capacidade fundamental para o ser humano é a de conseguir colocar-se no lugar do outro, capacidade essa que muita gente ainda não possui. Boa parte das pessoas não faz para o outro o que gostaria que lhe fizessem, porque simplesmente o outro não existe para elas. Somente respeitamos os direitos dos demais quando reconhecemos nossos semelhantes como pessoas separadas de nós, independentes, com necessidades, pensamentos e desejos próprios.
Principalmente na questão dos relacionamentos humanos observamos determinado tipo de pessoas que se posicionam diante da vida e dos outros, do mesmo modo que os antigos posicionavam o planeta, como o centro do universo. Todos precisam girar em torno dela. Se algo sai de modo diferente do que desejariam, rebelam-se. Se a pessoa não é como ela espera, então, "desespera-se".
Se estudarmos o curso do desenvolvimento infantil veremos que o bebê passa por um período inicial, nos primeiros meses de vida, no qual sua percepção do mundo externo ainda é muito incipiente. Isso faz com que ele acredite que tudo o que existe à sua volta seja ele próprio. Algum tempo mais tarde, à medida que suas funções físicas e psíquicas vão sendo gradualmente integradas, sob condições satisfatórias, a criança deve começar a discrimnar o ambiente externo como separado dela.
indivíduos que na vida adulta continuam funcionando emocionalmente de modo infantil. Embora reconheçam o mundo objetivo como exterior a si, ainda não percebem, na relação subjetiva com os outros, a autonomia de cada um. Quanto mais narcisista a pessoa, mais ela necessita da outra a seu modo. Nas relações afetivas observamos muito isso. Mesmo que o objeto amado não queira, é como se ele fosse parte da outra pessoa e não há chance dela viver sem ele. "A pessoa amada" é um prolongamento seu, se ela for embora vai levá-lo junto.
Um drama que acomete estas pessoas é sua reduzida capacidade para amar. Reconhecemos um relacionamento saudável pela capacidade que uma pessoa tem de se preocupar com os sentimentos do outro, um interesse verdadeiro pelo ponto de vista alheio, pela capacidade de tolerar descontentamentos no vínculo, sem abandonar a relação, e a autocrítica para admitir a própria contribuição nos conflitos que se apresentem.
Muitas pessoas relacionam-se com os outros como objetos a serem usados e descartados de acordo com suas conveniências, sem consideração por seus sentimentos. Nesses casos, normalmente o indivíduo, com essas caracteríticas, termina um relacionamento depois de um curto período de tempo, geralmente quando a outra pessoa começa a cobrar direitos e atenção para si também, e posicionar as suas preferências.
Madura é a relação que reconhece as caractgerísticas e os direitos da pessoa amada e se vê como alguém diferente dela, buscando alternativas saudáveis de convivência.

LIVRO DOS ESPÍRITOS - 886 - Qual o verdadeiro sentido da palavra caridade, como a entendia Jesus?
Benevolência para com todos, indulgência para as imperfeições dos outros, perdão das ofensas.

Em nosso meio, caridade é entendida como uma atitude de exterior, na qual, por um certo sacrifício, fazemos algo pelos outros. Temos um conceito distorcido de que caridade para ter valor deve ser aldo difícil e penosos para quem a faz.
Parece-nos que a verdadeira caridade nasce do desenvolvimento de qualidades internas, de sentimentos como o amor e a compaixão. Uma vez enternecido o coração de quem já é capaz de amar, o indivíduo terá inevitavelmente compaixão pelos outros e a caridade será a expressão natural dessas qualidades, não mais como sacrifício e sim como uma necessidade. Dito de outra forma, quem ama de verdade pratica a caridade, assim como uma mãe que tem o impulso natural, irrefreável, de cuidar de seus filhos. Abre mão de coisas suas, não como um sacrifício, mas como uma necessidade natural de servir.
A maternidade e a paternidade são experiências das mais fundamentais para o eclodir dos sentimentos mais nobres da alma humana. O amor de mãe é uma das primeiras experiências emocionais para o exercício do amor no seu sentido mais amplo. Diz-se que ao sermos mãe ou pai, não somos mais donos de nós mesmos. De tal forma isso é importante que os nossos direitos passam a ser secundários aos dos filhos.
É indício de patologia mental a posição dos pais que situam os filhos em plano de menor importância. Isso não significa que os pais deixem de ter direitos sobre a própria vida, mas o direito primeiro passa a ser dos filhos. No próprio reino animal temos exemplos pródigos disso.
Situamos o exemplo da maternidade e paternidade porque consideramos que a caridade primeira que estamos precisando no mundo está dentro da própria família. Fica difícil concebermos benevolência, indulgência e perdão das ofensas para com os outros se não tivermos exercitado essas virtudes na escola da família.
Muitas pessoas são maravilhosas fora de casa, capazes de mostrarem-se caridosas e desprendidas para com os outros, porém egoístas com o "próximo mais próximo", ou seja, o de dentro de sua casa.
Certo dia uma menina de oito anos de idade me falou que adorava a sua mãe fora de casa, na relação com os estranhos...
"- Ela até sorri! - ", disse-me.
As crianças estão com falta das mães sorrindo para elas dentro de suas casas.
Não é por acaso que a reencarnação traz para dentro do lar aqueles que tiveram diferenças no passado espiritual. É primeiro na família que desenvolveremos nossas principais potencialidades internas. A experiência da consangüinidade é determinante para restabelecer laços enfraquecidos ou perturbados em outras existências. Aí a grande oportunidade do exercício genuíno da caridade e do amor.
Sem estabelecermos nenhuma contradição, diremos também que faz parte do desenvolvimento emocional e espiritual, a dilatação do conceito de família. Ampliam-se as condições de saúde mental do indivíduo toda a vez que, atendidas as condições essenciais dentro do próprio lar, ele não se detém apenas no foco de sua família e vai além, passando a interessar-se pelos outros e por movimentos de crescimento humano.
Nossas Universidades precisarão estudar mais a vida dos homens que deram certo na história da humanidade. Francisco de Assis, Ghandi, Madre Tereza de Calcutá, Francisco Cândido Xavier, e tantos outros anônimos, são verdadeiros exemplos na prática da caridade e mostram para o mundo como o ser humano é capaz de ser bom também. Mostram-nos, esses gigantes, o que a raça humana tem de melhor: - a capacidade de servir.
Como no dizer de Rabindranath Tagore:
"Eu dormia e sonhava que a vida era alegria.
Despertei e vi que a vida era serviço.
Servi e aprendi que o serviço era alegria".
Realmente, somente temos aquilo que doamos.
Temos, pois, essas potencialidades e, a todo o instante, estamos tendo oportunidades de desenvolvê-las através das experiências da vida. Está guardado dentro de nós o germe do amor e da caridade. Todos nascemos detentores dessas virtudes. São sementes que precisam germinar.
Estamos nos aproximando da época em que compreenderemos que as virtudes ético-morais são pré-requisito básicos para o equilíbrio emocional e para a saúde mental.


Por: Diário Espírita - novembro/dezembro 2002, Caso tenha ou possua, envie-nos a referência desse texto.


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