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Afeto, do latim afectus, afeito à, afeiçoado, à feição de , semelhante. A simples energia da palavra já nos remete a uma série de associações livres e a outras nem tanto. De fato, quando nos ligamos a algo ou a alguém, sentimo-nos afeiçoados, isto é, identificados, projetados ao mundo afeito a esse alguém. Sentimo-nos afetados por tudo que lhe acontece e passamos a nos sentir como parte de sua vida e vice versa. É como se um traço de união, um liame, um laço antes inexistente viesse a se materializar. Interessante é que antes de conhecer esse alguém nossa vida corria normalmente, era como se nada nos faltasse; entretanto, quando o afeto surge, não concebemos mais nosso viver sem ele. Tomemos por exemplo um filho que chega ao nosso lar. Antes de sua existência, vivíamos; depois que ele está conosco, como viver sem ele? A este simples pensamento nos horrorizamos; é inconcebível para nós.
Essas reflexões nos levam a repensar a nossa afetividade, isto é, o conjunto dos nossos afetos e também a nossa capacidade de sermos afetivos, afetuosos.
Muitas vezes nos preocupamos com o número dos afetos que possuímos, trocando quantidade pela qualidade.
O Evangelho nos lembra que “quem encontrou um amigo, encontrou um tesouro”. De fato, uma verdadeira amizade é capaz de nos sustentar nos piores e nos melhores momentos e, por que não dizer, em toda uma vida. Muitos de nossos conhecidos e colegas não farão isso, entretanto serão para nós boa companhia com seus limites claros, sem intimidade e sem maiores permutas para além da simpatia, o que em si já tem o seu devido valor. Mas o verdadeiro amigo, esse continuará conosco quando conhecidos e colegas já nos tiverem abandonado. Portanto, um amigo é um grande tesouro.
Quanto à nossa capacidade de nos afetar pelo outro, precisamos reconsiderá-la. Será que já podemos sair de nós mesmos e irmos oferecer ao nosso afeto algo mais, sem que ele nos peça? Nosso olhar tem sido suficientemente atento para detectar o momento de chegar, de calar, de falar, de partir deixando o outro entregue respeitosamente ao seu momento de reflexão? Ou será que a título de sermos íntimos, não temos muitas vezes invadido a sua privacidade, impondo-nos quando o melhor seria ficar “na nossa”? Temos tido a delicadeza de calar as nossas necessidades em atendimento às suas; a sutileza de não apontar seus defeitos quando sua auto-critica já está a caminho? E quanto à confiança de que os instrumentos da evolução funcionam tanto para ele quanto para nós e vale a pena esperar pela sua mudança, assim como aguardamos pela nossa?
Tudo isso (ou será só isto?) nos leva a refletir sobre a nossa capacidade de sermos seres afetuosos e essa é a referência que nos liberta para os investimentos no amor.
Até aqui estivemos nos remetendo à educação, que é o piso básico de qualquer homem civilizado, e na seqüência, num crescendo, ligamo-nos ao respeito que se encontra numa oitava superior em investimento emocional.
Tanto a educação quanto o respeito se aplicam a todos os nossos afetos seja de um homem para uma mulher; entre pais e filhos; entre amigos ou entre irmãos. Basta que haja adequação de papéis e bom senso para vivê-los.
Quanto ao amor, tudo isso é caminho, é preparação para adentrarmos aos seus pórticos futuros.
A banalização do amor não o antecipa em nossas vidas como imaginamos, muito pelo contrário. Por qualquer motivo já estamos ‘amando’ e declarando esse amor, gerando expectativas de todos os níveis, inclusive em nós próprios, não as alcançando, a frustração abate nossa moral num círculo vicioso de culpas e de desaprovação pessoal.
Melhor é nos recolhermos à nossa realidade, sem sermos realistas pessimistas, e com muito otimismo, coragem e nos transformarmos desde já em pessoas afetivas. A indiferença tão comum em nossos relacionamentos se recolherá como uma sombra se recolhe à passagem da luz; nosso mundo e o mundo em geral para logo se fará melhorado e a nossa confiança em sermos seres amoráveis crescerá.
Dessas atitudes dependem a nossa auto-aprovação porque seremos aprovados pela nossa consciência. Estaremos fazendo o nosso melhor possível com sincera autenticidade.


Por: Alcione Albuquerque - Delfos, Caso tenha ou possua, envie-nos a referência desse texto.


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