Depois do Temporal

    Cansado coração, ouve, lá fora,
    O turbilhão do temporal violento,
    Cai o granizo, ruge a voz do vento...
    É a Natureza que se desarvora.

    O firmamento é anônima cratera,
    Quando o raio estraçalha a noite escura,
    E choras, ante o caos e a desventura,
    A prova que te ensombra e dilacera.

    Ao furacão que passa, caem ninhos,
    Tombam troncos, a ímpetos medonhos,
    E recordas as pedradas dos caminhos,
    Que varaste perdendo os próprios sonhos!...

    Espera e crê!... O temporal vai longe!...
    Amanhã seguirás em nova estrada
    E, ao teu olhar, a luz será mais linda,
    Quando o Sol acender a madrugada!...


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