Quando os Médiuns Param

Várias são as dificuldades que costumam cercar o medianeiro, no desempenho de seu mandato.
Com freqüência, a todas as dificuldades de caráter técnico, vibratório, ainda vêm somar-se aquelas de origem exterior porque ligadas à vida material, mas que repercutem de forma atuante na vida psíquica.
Criaturas com problemas de ordem social e econômica dificilmente deles conseguem desligar-se, superando-os, para a cabal realização da tarefa mediúnica. Isto pode, por vezes, significar-lhes algum embaraço, dificultando-lhes a ação nesse campo.
Há ocasiões em que ocorrem verdadeiros bloqueios e o médium passa muito tempo sem possibilidade alguma de rendimento, na sua especialidade.
Nessa conjuntura é preciso que adote para si uma atitude suficientemente adulta e superior para considerar o fato aceitável e até passível de repetição, tanto com ele quanto com outros.
Não há motivos para sustos nem para quedas de humor.
A atitude tranqüila deve ser a imposta, mediante um raciocínio muito lógico e isento. Também o trabalho de cunho espiritual pode sofrer certas paralisações, como todas as obras de caráter material, em que basta a falência de um ou outro setor para que a organização sofra uma parada ou um corte na sua produção normal.
O que é necessário manter é essa aceitação e esse entendimento. Uma sustação temporária não significa desistência, nem desonra a quem quer que seja. O que não pode ocorrer é a sustentação de um conceito (falso) no tocante a julgar-se o médium aviltado pela perda ocasional e momentânea de seus dotes mediúnicos. Na realidade ninguém perde coisa alguma. O que acontece com ele naquele momento é apenas um pequeno "embaraço" da máquina mediadora e que precisa ir a reparos.
Esses consertos certamente estarão subordinados ao reequilíbrio do seareiro mediante tratamento material e espiritual.
Esse entorpecimento (na maioria dos casos, passageiros) das faculdades mediúnicas vem, freqüentemente, testar o sensitivo sob inúmeros aspectos de sua personalidade.
Sabemos todos que nossa evolução moral e espiritual se realiza por etapas. Há inúmeros traços a vencer e, se a mediunidade é um auxílio para esse burilamento, pode se constituir também num entrave nos casos em que o tarefeiro se deixe fanatizar, embrenhando-se na auto-mistificação.
Daí, esporadicamente a perda da faculdade, a fim de alertar o (às vezes) incauto de que sua tarefa lhe exige acima de tudo humildade e respeito às Forças Espirituais Superiores a que ele - médium - tudo deve, precisando, por isso, colocar-se de forma a merecer esse mandato principalmente pelo esforço de uma remodelação moral.
Há perigo de que, não entendendo essa momentânea suspensão de atividades como coisa totalmente natural, o médium force as recepções, passando a extravasar-se animicamente.
Tal reação é inconsistente e perigosa.
As criaturas que se dedicam aos serviços da Seara Crista necessitam estar, acima de tudo, bem orientadas quanto à parte científica dos fenômenos que ocorrem com elas a fim de que, em situações como estas, não entrem em pânico, o que lhes pode - aí, sim! - produzir traumas e conseqüências desagradáveis, prejudicando-lhes o trabalho futuro.
Uma postura tranqüila, fruto de uma fé cada vez mais lógica, racional, eis a receita para todos os medianeiros a serviço de Jesus.


Helena Maurício Craveiro Carvalho